sexta-feira, 4 de junho de 2010

UNWISSENHEIT

Na terça-feira, funcionários deram por encerrada o trabalho burro que fizeram no belvedere da Ciclovia junto ao rio Taquari por ordem de um burro maior.


Faltou terminarem a mureta. Ou estão esperando que um bebum ou criança despenque?


Também fico me perguntando como a mão medíocre do homem pode interferir tanto na paisagem da cidade? Cimento, cimento, cimento até que não exista nem uma arvore mais.


@ “Em tempo: eu tava meio q te poupando de agruras municipais, dentro daquelas q tinha comentado de ti como elemento catalizador das insatisfações dos pobres lajeadenses sem eira nem beira, mas...

tu viu o q fizeram no belvedere da ciclovia? o pequeno, em frente à rua do prinz?!
encheram de cimento sem deixar espaço/terra pras árvores respirarem!!! isso ali é app e realmente me espanta a ignorância dessa gente!
ligo eu ou liga tu pro Anestor?”

Autoria preservada

TRISTE HUMOR...


NADA ESCAPA DA BARBIE

“Em tempos de Copa do Mundo nem mesmo a Barbie escapou de mergulhar no universo, quase sempre masculino, do futebol.

A criação é da designer francesa Chloé Ruchou que filosofa ao explicar a origem da idéia: “Quero estimular pensamentos sobre mentalidades diferentes, manipular os códigos, desviar funções e misturar as referências.”

A Barbie Foot nasceu de uma parceria entre a Mattel, proprietária da marca, com a empresa francesa Bonzini Babyfoot, que produz o brinquedo futebol de mesa, para toda a Europa.”

MUITA COINCIDÊNCIA...

No dia 23 de janeiro deste ano postei no blog a foto acima para chamar atenção do Concurso Fotográfico de Teutônia...

"Vá preparando o seu olhar: taí o 2º Concurso de Fotografias de Teutônia.

Tema: Paisagens que Encantam Teutônia, para divulgar os locais que causam impacto nos teutonienses e turistas. " Et, etc, etc...

Fiquei muito surpresa com a foto vencedora, de Pauline Klein... Muito familiar.

Pelo menos a minha não foi montada.

DÚVIDA Ó DÚVIDA...

O instituto que emite os certificados
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de qualidade ISO
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tem qualidade certificada por quem?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

VARAL PORTUGUÊS

Photo by Lauro Dickmann
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“Toda a conciência é luz.”

Deepak Chopra

TRILHA SONORA

TIMBAUVA EM ARROIO DO MEIO

De Cristian Schmidt para Junho no Calendário da Cometa

DA REDAÇÃO INDEPENDENTE

@ “Renato, gostaria que nos ajudassem quanto a uma infestação de ratos na rua Paraná frente ao numero 1121, Santo André.
A secretaria de meio ambiente nos informa que nao pode colocar veneno no local devido o predio ao lado ter muitos moradores e crianças que estariam sendo postas em perigo, e solicito como fica quanto a leptospirose. Renato, tem ratos de mais de um kg.
Gostaria que voces verificassem de perto esta situação principalmente na parte do final do dia e ao amanhecer.”


@ “Na rua Piauí em Estrela, existe 2 pés de bananeira plantados no meio da rua, em uma vala aberta por func. da prefª para conserto de esgoto e não foi fechada corretamente, só colocaram terra, as pedras estão a espera... Acho que vamos acabar colhendo bananas...”

@ “Renato, porque a prefeitura não tirou essas , casas perto do postão da montanha? É uma sujeira danada , os indios que não faziam tanto lixo tiram , e esse pessoal pode ficar, queremos uma solução.”






* Mal a gente dá uma saidinha e o Renato Worm já vira Secretário e Obras nesta cidade. E até em Estrela...

CASINHA CORAJOSA...

Livraria e Papelaria Cometa: firme e forte.

CBF MAIS POBRE


A Confederação Brasileira de Futebol vai ter que retirar todas as dez marcas dos uniformes da Seleção Brasileira, que serão usados na Copa da África.

Por determinação da FIFA, a partir deste domingo, 6 de junho, nenhuma marca poderá ser exibida nos três ambientes oficiais: estádios, hotéis que hospedam as delegações e campos de treinamento credenciados.

Só está liberado o logotipo da CBF e a marca da Nike, que explora milhões de pessoas miseráveis nos países onde a situação econômica é mais critica, obrigando seus operários a trabalharem 12 horas por dia ganhando menos de 30 centavos por dia.

Por enquanto, a seleção do técnico Dunga, já ostenta um título antecipado da Copa: é a campeã em Merchandising.

Com a venda de todas as cotas, a CBF acumulou R$ 214 milhões de patrocínio, somente em 2010...

ESTACIONAMENTO ROTATIVO

Não se alegrem... Leiam com atenção: em Venâncio Aires.

INESQUECÍVEL

Politicamente incorreto, sarcástico beirando a maldade, com aquele ar superior de quem está sempre armando o bote: o personagem O Amigo da Onça nos cartuns da revista O Cruzeiro eram irresistíveis.

Criado em 1943 pelo ilustrador pernambucano Péricles, ironizava e criticava os costumes sociais da época, desmascarando seus interlocutores ou colocando-os em situações muito constrangedoras.

O Amigo da Onça popularizou tanto que acabou cognome para amigo desleal e que não passa a verdade, muitas vezes um sujeito falso ou hipócrita, a qual recomenda-se manter uma boa distância...


“O Amigo da Onça se transformou no tipo mais popular da história do humor brasileiro. Quando Péricles morreu, 18 anos depois, o Amigo já era - sem nenhum exagero retórico - um personagem imortal.” - Millôr Fernandes

ADEUS BOTOX!


Essa é boa: a empresa de cosméticos japonesa Reiko Kazki lançou uma fita anti-envelhecimento, que promete dispensar as dolorosas aplicações de botox.

Batizado de “Kazki Anti Aging”, o produto é composto de fitas invisíveis de 0,01 milímetros de espessura.

Basta uma simples aplicação na pele e o efeito tensionador é semelhante ao da toxina botulínica.
O “Kazki Anti Aging” tem chegada prevista no mercado japonês, para o início de julho.

Em Lajeado espera-se para 2013.

DÚVIDA Ó DÚVIDA...

Por que 'Separado' se escreve
tudo junto
*
e 'Tudo Junto' se escreve
separado?

terça-feira, 1 de junho de 2010

VARAL DE OUTONO

Photo by Ricardo Silva
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8
"Nem tudo deve ser dito,
já que tal seria loucura;
mas tudo aquilo que se diz,
deve corresponder ao que pensamos;
de outra forma seria desonesto."


Montaigne

TRILHA SONORA DE HOJE

CONVITE


MONTE VI D’ESTE A OESTE...

A quem tu indicaria Montevideo? – ele perguntou. A ninguém, pensei mas não respondi.
De Porto Alegre a capital uruguaia: uma hora. O aeroporto é novo e moderno. Desprezamos o táxi e embarcamos num ônibus. Para sentir o povo da terra de Gardel...


... nada melhor que um - de linha. Mas, com essa lataria lembro que nem em Vila Fão passa igual... O motorista sacaneia na hora do troco e dá um ganho em 50 pesos. Deixo por isso, afinal recém cheguei. A garota ao meu lado curte seu ipod e eu me concentro na paisagem cinzenta e achatada que se arrasta pela janela.


Enfim, a Plaza Independência na Ciudad Vieja e procuramos pelo Che Lagarto Hostel. Sem reserva em outro lugar, acredito na dica da revista Gol distribuída no avião: “hospedagem sem comprometer a conta bancária”. O lugar era um dos palacetes da cidade, hoje mantêm a escada cinematográfica digna de Hitchcock e a recepção lembra um pub mesmo.



O garoto que nos atende é gentil e senti que seria uma experiência diferente: mesmo no quarto sem banheiro, sem sabonete, sem toalha de banho, camas separadas com lençóis que não inspiravam confiança, sem calefação, tampouco segurança.


Um quartinho de frente para a plaza, com uma parada de ônibus movimentada também em frente ao quarto... Uma bixa velha nos olha, ignora e some pelo corredor. Dois simpáticos veados nordestinos trocam umas idéias a respeito da cidade com a gente. Um casalzinho desiste de ficar por ali. Três homens de meia-idade nos encaram. Sim, o reduto gay nos discrimina e a diária de 58 reais sobe para 36 dólares...



Desistimos no cair da noite. Suspirei, porque até bicicletas o albergue oferecia. Terminava ali minha idéia de turismo alternativo. Depois pesquisei na internet e surpresa vi belas fotos internas do Lagarto. Fiquei me perguntando se o quarto oferecido seria para forçar uma renuncia mesmo. Só que o cenário - um tanto surreal - não correspondia a realidade daquelas imagens. Assim, descemos a escada de Hollywood estropiando as malas...


Encontramos o Hotel Palacio - na Bartolomeu Mitre, quase esquina com a multicultural Sarandí - rodeado por galerias de arte, pubs e cafés, feirinhas, camelôs e lojas de antiguidades,

... além da bela livraria Puro Verso. Diária de U$36 sem desjejuno: quarto antigo, com calefação, banheiro simples mas privativo, toalhas e sabonete.




No desenrolar dos dias me senti como em La Belle de Jour e entendam o que quiserem.
O charmoso hotel foi construído em 1920 e tudo conspirava para que ficassemos e foi o que tratamos de fazer.





O elevador do prédio ainda é o mesmo e a família que administra, gentil.
Na última noite, com o proprietário, subimos até o 7º e mais alguns degraus de uma estreita escadinha. Do alto avistamos o porto e o encontro das águas do Atlântico com o Rio da Prata. Em frente, as torres da Matriz e um museu que já foi prefeitura e presídio.





Do outro lado, o Palácio Salvo e o Teatro Solis. É deslumbrante e eu agradeço o momento especial compartilhado naquela noite fria e deleto as noites barulhentas de sexta e sábado: um bar em frente ao hotel ferveu madrugada adentro, impedindo uma noite mais tranquila. Sorte, com alguns cálices de vinho, a insônia se acovarda.








Você insiste em conhecer Montevideo? Mesmo?



Cheguei e fui direto ao Theatro Solis reservar ingresso para qualquer coisa. No caso, a Ópera Lucia di Lammermoor, de Donizetti. Minha primeira ópera na vida. E gostei, mas não estava preparada para três horas de tenores e sopranos. São mais de 80 pessoas no palco e uma orquestra filarmônica bárbara.




O teatro é bonito, imponente e agora restaurado. À tarde fizemos uma visita guiada, se não fosse a pressa da guia, seria mais interessante. Esqueceu de contar que houve um tempo em que as mulheres viúvas só podiam assistir aos espetáculos, apartadas, sem ser vistas pelos demais na platéia. Desde sua inauguração, uma luz vermelha sobre o telhado do teatro acende para avisar a cidade que é noite de espetáculo.
Foi inaugurado oficialmente no dia 25 de agosto de 1856. O nome homenageia o primeiro navegante espanhol que chegou pelo rio da Prata, naquelas terras.
Abriga o Centro de Investigação, Documentação e Difusão de Artes Cênicas, a Comédia Nacional e a Orquestra Filarmônica do Uruguai, que ensaiam seus repertórios no térreo dos anexos.

Quanto tempo leva para um bar adquirir personalidade:
10 anos? 15? 30?
O bar Fun Fun é de 1895 e foi minha escolha para a primeira noite na cidade. Começou no Mercado, depois se transferiu para trás do Solis: entre garrafas de poeira centenária, fotografias e burburinho, o bar de Gardel não decepciona. Foi lá que bebi a famosa uvita, um drink que mistura vermute com vinho do porto, mas acredito temperado com gotas de Biotônico Fontoura, Olina...


Era uma noite para os não-turistas, embora descobri americanos, mexicanos, chilenos e brasileiros infiltrados na platéia uruguaia.

Logo os tangos refletiram com vigor combinações dramáticas de traições e ilusões, acompanhados pela guitarra de Luis Martinez.

Nelson Pino



Edid Abalos



Jorge Laguzi



Miguel Angel Nieto
X



Ouvimos mais de 40 tangos e saí de lá borracha, loco, loco com a boêmia e o abismo que nos separam. Minha cidade não tem nada disso. Nada pelo qual un corazón possa palpitar como cantaram os tangueiros. Funfun... e foi isso.


Conhecer a capital do Uruguai é adentrar num portal secular, uma viagem no tempo.





E cada viagem não deixa de ser uma revelação, uma descoberta, um tiro no escuro. Então, aproveitei também para cair dentro de uma garrafa de vinho, para descobrir frestas e esconderijos, me perder pelas calles antigas...




... descer no porão da Plaza Independencia e conferir o mausoléu do protetor dos povos, o venerado gen. José Artigas...



... me surpreender com uma oficina bagunçada de conserto de bandoneons, cair dentro de uma peça de teatro às 11 e meia da noite ou num dos pubs nostálgicos da Ciudad Vieja, embalado por um rock pesado.




Continuo pensando que não indicaria esse destino a ninguém...
*
...até porque Fossati caiu.


Quem gostaria de andar num táxi antigo?

Que se emocionaria com uma passeata em homenagem
aos operários mortos na época da ditadura?




Quem gostaria de visitar um Museu de Tango?




E quem se impressionaria com o destino que dão

aos cadeados dos amantes?

Quem gostaria de saber o significado da cidade?

Monte VI d’este a oeste
4
Voltar é desesperador.