Os pobres, por falta de oportunidade. Os ricos, por oportunismo.
Ocupações irregulares? Regulares loteamentos.

Marques de Souza – Vale do Taquari
Tudo oficializado. Como em Lajeado, minha cidade.

Depois da destruição, o discurso e a solidariedade política.

Depois que invadiram as encostas, saquearam o verde, derrubaram os morros, roubaram as raízes, desequilibraram com o circuito do Oxigênio contribuindo na abertura das comportas naturais do céu, depois que os órgão ambientais, aqui e lá - enxugam as mãos, o dilúvio faz o resto.

Se é para destruir, vamos liquidar com tudo, inclusive com mais de 500 vidas.
Com essa humanidade burra, gananciosa que insiste em desrespeitar a Natureza.

Foi assim no ano passado na região do Fão, aqui pertinho de Lajeado, Rio Grande do Sul. Foi assim em São Paulo, Minas, Santa Catarina, Rio de Janeiro: todos sepultando seus mortos, chorando seus familiares.

O depoimento de um cidadão dizendo que achava que essas coisas só acontecia na tevê dá o tom lúgubre da ignorância.
Rios que mudam de leito, crateras em vez de montanhas, rochas que despencam e avalanches de lama. Uma destruição que lembra, mais recentemente, o Haiti e Angra dos Reis.
Os cinegrafistas apontam suas câmeras e comprovam o despreparo, a lerdeza da Defesa Civil brasileira no socorro do povo. Falta tecnologia, falta gente, falta profissionalismo.

Marques de Souza-RS
E depois que a imprensa mostrou que só 40% das doações chegam ao seu destino, aos necessitados, o ceticismo e a desconfiança paralisam gestos solidários.
A vileza humana não tem parâmetro.
O dinheiro do Programa de Prevenção para Desastres não chega.
É desviado pelas grandes autoridades. Se chega, pelas pequenas.

Quem diz? A ONG Contas Abertas.
E ainda se convive com os saques em meio tanta desgraça.
Com os aproveitadores honoríficos.
A Natureza não vinga.
Cobra.
E a gente acaba cansando de assistir ao mesmo filme.
E aí, a solidariedade se encolhe.