@ “hoje eu fui almoçar no subway e a moça que me atendeu estava em treinamento: ela não sabia o que era pão integral.
a galera toda que almoça lá só falava na festa à fantasia.
eu comia e não descia.
eu tomava e o gás do refri saía pelos olhos.
podia ser lágrimas, mas não era.
eu tô ficando calejada.
aquela galera toda não faz parte do mundo da moça que fará o sanduíche deles em breve. são tantos mundos. e mais a festa à fantasia.
as pessoas se expondo ou se escondendo. pra quem e de que mesmo?
as gurias gastando uma fortuna na fantasia que ninguém vai reparar.
a gurizada falando de boca cheia da festa, o pão integral - desconhecido da moça - se vendo lá na garganta deles.
puta sorte que eu estava só e não precisava dizer palavra.
me senti tão palhaça. como se eu estivesse na festa da farsa.
ou no aniversário do político que colocou o convite no jornal.
medo de ratos.
medo de palhaços.
principalmente de ratos vestidos de palhaços.
eles acreditam nas fantasias e eu luto para sobreviver na realidade.
a moça, eles e eu.
eu arroto pimentão. eles tecem fantasias.
a moça descobre a gastronomia.
a cidade ainda fede as suas cheias, mas já transborda os seus brilhos na boca de todos eles.
ao menos por uma noite as pessoas acreditarão nos seus personagens.
eu seguirei morrendo de saudades de acreditar. me achando e me perdendo nestes abismos entre tantos mundos. todos tão bonitos. tão incompletos. e uma pena: tão distantes.
(a minha moeda não é camarote e nem a doação de um quilo de alimento não perecível. da minha moeda eu não sei o nome. claro que ela também se vende, mas não compra quase nada.)” Autoria preservada













































