
"É preciso não ter medo
É preciso ter a coragem de dizer
Mesmo os escravos por vocação
Devem ser obrigados a ser livres
Quando as algemas forem quebradas."
Carlos Marighella
Acho que contaminados pela mensagem de Edgar Rice Burroughs, em seus filmes e gibis, o grupo incorporava “Tarzan, o Rei da Floresta” e resolveu fazer duas cabanas.
Uma do lado da Bento e outra do lado da Júlio. Como cada grupo queria apresentar a melhor cabana, aos poucos o centro do mato foi sendo detonado. Quando terminamos, havíamos aberto uma grande clareira, não deixando mais de 2 metros de árvores nas laterais. Um dia, em plena brincadeira, aparece o Seu Ewald para vender o mato e, ao entrar no seu terreno se deparou com aquela clareira... Foi uma debandada geral, correria para tudo que era lado.
A ordem era sair do que restava de mato o mais rápido possível, mas não adiantou nada. Éramos todos da vizinhança, filhos de amigos do seu Ewald.
Lembro que meu pai, o seu Plínio, teve que pagar junto com os demais o mato que faltava, e eu passei alguns dias, em pleno verão, usando calça cumprida para não mostrar os vergões deixados pela surra de relho que levei.
A lembrança dos efeitos das molecagens marca a forma que éramos penalizados, sem dó, sem perdão e imediatamente, não dando tempo para amenidades, pois ainda não existia a figura dos “deixa disto”, “esfria” ou “tá com stress”.
* Comparando com o que ocorre atualmente, a banalidade com que se matam pessoas, o desrespeito, enfim, tudo aquilo que está nos jornais e noticiários, talvez se a moderna psicologia não tivesse eliminado a palmatória, o relho e outros tipos de reprimenda, os problemas de nosso dia a dia seriam mais amenos, inclusive não haveria opiniões tão divergentes como ocorre neste blog, e eu, menos estressado.
Roberto Ruschel