Quem leu a primeira revista Época deste ano sabe que estou plagiando.
Os porquinhos somos nós que vamos à praia e deixamos o lixo na areia – diz Ruth de Aquino em sua crônica. E aqui um atalho para nossa praia: campings, parques e pracinhas. Mas, antes um parêntese:
(Já fui ao Rio fora de época de turismo em massa e posso atestar com todos os chiados emitidos por eles: os cariocas são muito relaxados. A maioria, simplesmente se recusa a levar o seu lixo – o papel do saquinho do biscoito Globo, a casca do coco gelado, o copinho de mate Leão – até a lixeira. É espantosa a falta de consciência ambiental.
Levantam a bunda da areia e vão para seus apês sem a menor consideração com aquele espaço público e democrático, deixando a imundice ao relento e ao sabor das ondas. Mas dizer o quê de uma “casta” que obriga as diaristas e empregados a subir e descer pelo elevador de serviço, apesar da lei proibir a discriminação social?)
PARÊNTESE 2
(Em Garopaba, praia do litoral de Santa Catarina, os hermanos também deixam rastros de lixo por onde passam. Para ver que falta de educação não tem fronteiras. E na praia da Ferrugem, um dia point de surfistas ecologicamente corretos, agora descoberta pelo povo adepto do levantamento de copo, as areias claras se transformaram num grande cinzeiro para bitucas dos (e das) trogloditas tatuados.
E também não é uma questão de elite: tanto os ricos dourados do Arpoador como os branquelos menos aquinhoados do nosso interior todos se transformam em porcos: “É o porco pai, a porca mãe e a prole de porquinhos”- escreve Aquino. Assim como nas areias emporcalhadas de Torres ao Hermenegildo – penso eu.)
CRIANÇAS e CACHORROS
Voltando para nossa colônia, para nosso lazer nos parques e praças da cidade: os porcos mudam de endereço, mas não mudam sua cultura.
Em Lajeado, a Praça João Zart Sobrinho passou por uma reforma: em breve uma construtora deve construir mais um prédio de apartamentos afetando a tranqüilidade do bairro. A recauchutagem panorâmica ficou bonita com os sanitários recentes, a quadra de basquete restaurada, o gramado, calçadas e brinquedos novos, e uma caixa de areia ampliada que divide espaço com crianças e cachorros.
E vocês sabem que os nossos animais de estimação também adoram uma caixa de areia para seus cocos e pipis, não é?
Só que quando as crianças brincam de comidinha com esses cocôs ou uma pisa em cima sujando o pezinho gorducho as mães viram feras. E com razão.
Quem não tem razão nem educação são os donos dos cachorros, que de uma hora para outra podem também serem identificados como porcos.
Aqueles mesmos que sujam as areias de Copacabana, Jurerê ou Xangri-lá.