quarta-feira, 4 de março de 2009

ENTREVISTA

FLAVIO TAVARES é advogado, jornalista, escritor e articulista político do jornal Zero Hora, aos domingos.

Integrou o grupo que fundou a Universidade de Brasília, na qual se aposentou como professor. Foi militante de esquerda nos anos 60/70, quando participou da luta armada contra a repressão, período em que foi preso, torturado e exilado.

Exerceu nos anos 80 as funções de correspondente internacional de “O Estado de São Paulo” na Europa e América Latina e da "Folha de São Paulo" na Argentina.

Em 1992, em parceria com o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o teólogo Leonardo Boff escreve o seu primeiro livro "Direitos Humanos - Um desafio à comunicação", para depois lançar “Memórias do Esquecimento”, “O Dia em que Getúlio Matou Allende” e “Che Guevara que conheci e retratei”.

O blog entrou em contato por email com Flavio Tavares que, gentilmente, concedeu essa breve entrevista sobre o descaso com que tratamos o meio-ambiente.

Com isso, todas denúncias e observações realizadas nesse blog - durante quase dois anos - desde o corte inútil de uma árvore, como de um bosque inteiro, ou do desmatamento de áreas para loteamentos na cidade, ganham respaldo desse cidadão lajeadense de renome internacional.

O sr. acredita que os povos indígenas, atuais herdeiros, ainda possam ser os guardiões da Amazônia, apesar da grilagem, da presença das ongs estrangeiras e da própria política ambientalista de Lula?

FT - Os povos indígenas guardam e protegem a Amazônia há mais de cinco séculos. Nesse tempo, foram os indígenas que defenderam o patrimônio bio-genético e, até, as riquezas minerais da região. A política ambientalista do governo Lula é falsa e tola, especalizada em atos declaratórios mas não em defesa concreta do meio ambiente. Existem "ongs" e "ongs". O Green Peace, por exemplo, é organismo internacional e fez pela Amazônia muito mais do que as pseudo "ongs" de alguns picaretas que se dizem brasileiros...

O Fórum Social Mundial, há pouco em Belém, contribuiu para dar outra visibilidade às questões ambientais aos demais países, principalmente, os europeus?

FT - O Fórum Social Mundial tem servido para chamar a atenção dos problemas e denunciar as mais variadas formas de opressão e degradação na sociedade moderna. O único país que parece ter dado pouca importância à sua celebração no Pará foi o próprio Brasil...

Parece que pensamos muito intelectualmente a devastação amazônica, a mata atlântica, ou até mesmo nossas cidades, mas não partimos para a ação... O que responder no futuro quando nos cobrarem essa falta de atitude?

FT - Este é o nó da questão, ou o X do problema... Todos discursam e pronunciam frases, mas poucos são os que agem. Temos de mudar de atitude agora mesmo, neste instante: cada um de nós deve denunciar o maltrato à natureza e agir, começando na própria casa -- economizando água, rejeitando os plásticos (que estão inundando o planeta). Os pequenos atos servem como exemplo e nos levam às grandes ações. Só assim nossos filhos e netos não vão sentir-se culpados pela atitude de seus pais e avós.

É possível conciliar o desenvolvimento sustentável (faminto e ambicioso pelas riquezas) do nosso ecossistema com a preservação da diversidade ambiental? Ou a degradação é um caminho sem volta?

FT - Tudo tem solução antes do momento final. O problema é que, agora, "desenvolvimento sustentável" passou a ser apenas uma frase oca, com a qual se disfarçam as ações de agressão à natureza, como se aprisionássemos um verme num frasquinho mas suas larvas ficassem procriando novos vermes. A degradação não é ainda um caminho sem volta. Mas precisamos agir, TODOS, com pressa e firmeza, para conter a perversão da sociedade de consumo, que polui tudo e, assim, terminará com a vida em nome da riqueza pessoal.

Como o sr. a grande mídia em relação a preservação do meio ambiente?

FT - Apesar de propagarem a loucura de consumir, os meios de comunicação são ainda o único canal que denuncia os atos de desprezo à vida contidos na degradação ambiental. Faltam, porém, ações coordenadas em que todos possam exigir dos grandes poluidores, que não são apenas os grandes empresários, mas também os políticos demagogos que se elegem com nosso voto.

2 comentários:

Marcelo Petter disse...

Cabe acrescentar que Flávio Tavares nasceu em Lajeado no ano de 1934.
Marcelo Petter

Anônimo disse...

Parabéns Laura pela reportagem e pela tua batalha nessa cidade.
Nosso conterrâneo, apesar de distante, muito honra essa cidade.