sábado, 27 de outubro de 2012

CRÔNICA


photo by Martino Piccinini

Uma imagem postada nas redes sociais durante o manifesto Defesa Pública da Alegria, que aconteceu no início deste mês na capital dos gaúchos, junto ao largo Glenio Peres, um espaço aberto e público, impulsiona minhas reflexões mais orgânicas para este canto do espaço kraft, palpável e sensível.

A Alegria, assim mesmo em maiúsculo, anda em baixa. Sufocada. Empalhada. Às ruas, em sua defesa!
Às ruas, protestar. Apitos, gritos, braços para o alto, chamar a atenção de quem passa e de quem sobrevive sob as marquises e shoppings da cidade, no conforto do quarto e do Facebook. Todos para a rua em defesa da alegria. Contatos imediatos já. Abandonemos a tevê, os brinquedinhos tecnológicos, a geladeira – tudo que obtusa e engorda.

Todos para a rua protestar pela volta da Alegria e da segurança por dias mais livres e mais inspiradores. 
Gritar, caminhar, suar e respirar em conjunto faz bem e libera as endorfinas estranguladas pelo dia-a-dia, quando as injustiças vencem as três virtudes teologais. Vence a simplicidade pública a que todos temos direito como céu, sol, verde, espaço.

Então vamos às ruas defender toda a Alegria a que temos direito e que é sonegado pelo governo e até pela família que nos empurra para o divã cada vez mais cedo.
A Alegria esvaída pelos desatinos cruéis de pais que se drogam, que roubam, mentem e se esbofeteiam por aí. E dos pais que sofrem com os desatinos dos filhos que se igualam. Sim, a autoestima no calcanhar e ainda por cima o calcanhar sangrando com a flechada de Asteropeu.

Sofremos com as traições. Sofremos com o desamor. E pensamos que a Alegria nunca mais nos habitará. Só se o nosso umbigo é maior que o umbigo do mundo. Pelo menos maior do que o umbigo do vizinho. Ou andamos cegos para a Alegria mais primitiva?
Talvez por isso chama atenção a defesa da Alegria nas ruas.

Sobreviventes fragilizados ou a forra vamos para a rua interceder por sua volta e viva a Alegria que me alimenta todo dia de casuais prazeres como a visão dos dois sanhaços que se alimentam das cascas de mamão jogadas propositalmente no jardim. Como o perfume delicado exalado pelo azul do jacarandá no quintal. Como as risadas das crianças que fogem das ondas do mar.

Sim, tão frágil a Alegria por esses dias que é preciso seu resgate urgente, sair em sua defesa, empunhar cartazes que chamem atenção de todo mundo.

Mudemos o disco: viva a Alegria!

* Minha crônica jornais A Hora, de Lajeado e Opinião, de Encantado.

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