quarta-feira, 17 de outubro de 2012

MARCEL STÜRMER DESABAFA


"São 5:37 da manhã aqui em Auckland onde acabei de ganhar uma medalha de prata no Campeonato Mundial.
Muitos de vocês pensam que conhecem minha história, aquela que eu comecei com 6 anos no esporte, ganhei vários campeonatos, nasci para isso, tudo é bacana e tudo chega pra mim. Mts do meio pensam que não fico nervoso para competir, que me acostumei a "ir bem" como se diz na patinação, que não sinto a pressão que fazem em cima de mim e coisas do tipo. Seria ótimo e muito mais produtivo para mim manter isso perante todo mundo, mas eu cansei.
Aqui está de presente para você torcedor, amigo ou simpatizante, a realidade."

"Dizem que para se ter uma coisa é necessário abrir mão de outra...
Hoje em dia as pessoas não querem escutar a verdade, elas preferem o final fabricado, feito para agradar, de filme.

Eu prefiro a verdade pois ela liberta, e essa é a minha:
Algumas pessoas merecem um parabéns por essa medalha e eles não precisam de publicidade ou agradecimentos em facebook, eles sabem do seu valor.
Fora isso, essa medalha é MINHA!
Egoísmo? Talvez uma realidade de alguém calejado por um meio de vaidades, alguém que confiou em muitos e teve essa confiança estraçalhada pelos mesmos muitos, que desejou boa sorte de coração e tropeçou no patins adversário, que teve que aprender a construir uma barreira para não se machucar mais, alguém que aprendeu que todos tinham interesses, alguém que muito cedo percebeu que se não fizesse sozinho não seria feito."
 "MINHA medalha porque só eu sei a dor de uma lesão crônica, a dor de ter água saindo dos olhos (naturalmente, sem esforço) todos os dias durante meses de treino devido a essa lesão, a dor de uma injeção dentro do joelho, a dor de treinos inacabáveis por vezes sozinho, a dor de vários sábados a noite de cama fazendo gelo, a dor de muitas vezes não poder comer, a dor de ser diagnosticado com estresse e ter que continuar treinando, a dor de ter machucados no corpo causadas por esse estresse ao ponto de não conseguir vestir uma camiseta e ter que disfarçar isso, a dor de ficar quase sem verba de treino no início do ano e não ter para onde recorrer, a dor de passar por tudo isso e mesmo assim uma semana antes do Mundial ainda não saber se poderá viajar por questões de saúde e de patrocínio."
"Essa medalha é verdadeira porque ela é, simplesmente, real.
É feita de 20 anos de amor por um esporte desconhecido no Brasil.
Ser o segundo melhor do mundo naquilo que você faz é muito difícil, mas ser o 2º do mundo sem ser político, sem ter um padrinho, sem ter um técnico influente, sem fazer uso de doping, sem desejar o mal a nenhum competidor, sem puxar o saco de ninguém ou ter uma mesa de juízes favorável é muito mais difícil.
Então da próxima vez que você ver um atleta brasileiro vencer alguma medalha independente da cor, você agora vai saber mensurar um pouco melhor o significado pessoal que essa conquista tem para ele."

Leia reportagem na ZH, de ontem.

2 comentários:

serjao disse...

Ninguem disse que seria facil Marcel. Acho que sabias disso. Mas superastes os infortunios e dores relacionados com um esporte nao tao "popular" no Pais do futebol. Mas chegastes la Cara. Congratulations , de alguem que nao te conhece,mas reconhece teu esforco e dedicacao.Siga em frente!

Marisa disse...

Junto ao sucesso do Marcel estará sempre a figura de Jaqueline Nonnemacher, grande mestra!