segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O ALFAIATE DE HITLER


Chamava-se Hugo Ferdinand Boss. 
Era alemão e beirava os 40 anos quando fundou em Metzingen, na cidadezinha onde nascera, uma pequena loja de confecções.

Em 1931, desesperado com uma falência batendo a sua porta, ingressou no Partido Nazista – e aí sua vida mudou. 

Tornou-se o fornecedor exclusivo dos uniformes negros das SS (Schutzstaffel), da Juventude Hitlerista e de outras agremiações nazistas. Ganhou milhões entre 1934 e 1945, e, para dar conta das encomendas, a solução foi apelar para a mão de obra, compreensivelmente barata, dos prisioneiros de guerra.

  Após a derrota do III Reich, Boss foi levado aos tribunais, pegou penas brandas, mas condenado a indenizar as famílias dos 180 prisioneiros de guerra (140 franceses e 40 polonês), forçados a trabalhar na sua empresa sem receber nenhum salário.


Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o empresario alemão foi julgado e obrigado a pagar multas por sua colaboração com o Estado nacional-socialista. 
Acabou  morrendo em 1948. Desde então a empresa fundada por ele começou sua ascensão à fama como uma marca internacionalmente conhecida de roupas e acessórios de griffe. 

 Em 1997, a Hugo Boss apareceu em uma lista  contas inativas na Suiça, que despertou a publicação de artigos que destacaram o envolvimento de Hugo Ferdinand  com os nazistas. Advogados de Nova Iorque entraram com ações.

A empresa não fez comentários sobre isso, mas reiterou a afirmação anterior de que não iria fechar os olhos para o passado, e que o mais correto seria lidar com as questões de forma aberta e franca. 

Ano passado foi publicado o livro  “Hugo Boss – 1924-1945: Uma fábrica de roupas durante a República de Weimar e do Terceiro Reich”, pelo historiador alemão Roman Köster que escreveu a história autorizada com diversas revelações.


Setenta anos mais tarde, a empresa publicou um comunicado chefe em seu site pedindo perdão, oferecendo seus "sinceros arrependimentos em relação àqueles que sofreram lesões durante o trabalho forçado no negócio de Hugo Ferdinand Boss durante o regime Nacionalista Socialista".

Fonte: http://www.thecuttingedgenews.com

2 comentários:

serjao disse...

Pois e ne, interessante como esta Cia. sobreviveu e prosperou desta maneira, tendo sido diretamente ligada ao regime nazista da epoca, considerando-se a phobia anti-nazi apos a segunda guerra mundial.Alguem poderia me dizer que grupo possui hoje o controle acionario desta firma? (So por curiosidade!)

Luiz Carlos disse...

Excelente. Não tinha ideia. A alemanhã, apesar de ter perdido a guerra (...) também prosperou: apropriando-se dos bens dos judeus (ouro, pedras preciosas etc.) e arte dos franceses, que eventualmente negociou como Vaticano e no fim ainda levou a Alemanha Oriental. Por quê? Isso mais parece um prêmio! Abs. Ótima matéria.