quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MUSEU-ATELIER HAMILTON COELHO

No início – ou seria no fim? – do Brasil, depois da praia do Hermenegildo e ao lado da Barra do Arroio Chuí, encontra-se o Instituto Balaena e também Museu-Atelier de Hamilton Coelho, artista plástico autodidata, comparado com o polonês Frans  Krajcberg, naturalizado brasileiro e que hoje vive no sul da Bahia. Ambos transformam em arte o que a natureza traz até eles seja pelas ondas dos mares, seja pelos dejetos descoberto na terra, na areia. A arte de Coelho promove o equilíbrio natural porque sua matéria–prima vem do relento.

Hamilton Coelho já foi entrevistado pelo Fantástico, pela Veja, Isto é, RBS, para ficar só nesses.  Volta e meia, um repórter o descobre e procura para fotos e entrevistas, é quando sai lascando o cognome irritante: artista-ermitão. No entra e sai de seu espaço tão bem integrado, parece que o modus vivendi interessa mais do que o Artista, que a sua obra ecológica, o que acaba afastando Coelho do publico antagônico.

A casa que abriga o acervo do artista tem janelas amplas e espaços surpreendentes, com iluminação natural que exibem obras grandiosas criadas a partir de ossadas de baleias, de pedaços de madeira e velhos galhos de árvores, restos de naufrágios, assim como peças de macramé antigas. Da decomposição dos materiais, uma nova proposta visceral para sua arte.

 Hoje obras de Coelho podem ser encontradas em diversas capitais brasileiras, galerias e museus, e em acervos particulares como do empresário Jose Roberto Marinho, da Globo, que também visitou o local.
 As paredes do atual Museu que já escutaram os gritos da repressão militar, mas hoje silenciam em nome da paz, é tocado por Malena Mesquita, que  abriu as portas...
  ...para uma exposição do artista Madu Lopes: telas coloridas, que dialogam com a arte naïf e, irresistivelmente, atraem para um clic quem visita o local.
 Em 2009, a Casa serviu de cenário para o 1ª Mostra Barra Cine, e cenário para  um curta que conta a vida de Hamilton Coelho: “Através de Uma Escultura”, da Moviola Produções.  Das filmagens não concluídas, um vídeo institucional.
 No quintal dos molhes da Barra, um bar foi transformado em Centro de Convivência, para receber estudantes de arte, artistas e pensadores que idealizam a preservação pela socialização da arte. Todo o material de construção do centro foi doado pelo mar e pelas pessoas da região, como as peças de embalagens com marca de origem inglesa, que chegaram através das correntes das ilhas Malvinas, assim como uma mandíbula de baleia franca.
 Nesse último quintal do Brasil, um projeto de Permacultura e Bioconstrução está assentando os contornos de uma casa de taipa construída com galhos e garrafas de vidro.


Não é difícil associar a um ninho de joão-de-barro: uma casa que não sofra as infiltrações tentadoras do urbanismo assinada por Maurício Arezzo tem atraído alunos das faculdades de arquitetura da região.

Por fim, caso um artista queira se hospedar no local para troca de experiências e pesquisas, a proposta Ateliê-residência de Hamilton Coelho recebeu pessoas de 26 países só no verão passado.

Gostou?
Entre em contato: balaenaaustralis@gmail.com

2 comentários:

serjao disse...

Uma das "vantagens"de seguir uma blogueira viajante e saber que , na volta, ela vai "repartir" conosco todas as belezas e delicias de suas "descobertas" mundo afora. Para onde "vamos" na proxima,my frendi?

Monica disse...

Adorei!!!só voce para garimpar artistas inusitados e ecológicamente corretos. Muito bom!