segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RESGATE HISTÓRICO: COMBATE DO FÃO


Um sábado diferente... Escritores da  Academia Literária do Vale do Taquari foram até a pequena cidade de Pouso Novo, às margens da BR 386, para prestigiar e conhecer um pouco de um momento histórico ocorrido na região em Setembro de 1932.
À esq. o casarão da Família Buffé... Deve ser preservado!
Grande recepção na Escola Estadual de Ensino Médio Pouso Novo: cafezão!
Belo passeio: passando o pedágio, a ponte curva sobre o rio Fão, mais uns poucos quilômetros, entre à esquerda, em direção a Linha Medorena.
 Parada estratégica para fotos: Deolí Graff, presidente da ALIVAT,aproveita.
 Se você se aventurar, lembre-se: na primeira encruzilhada suspeita, opte pela esquerda e siga para a Barra do Duduia. Ou Dudulha, como escreveu o historiador Sergio da Costa Franco.
O plácido arroio - que dá nome ao lugarejo - desemboca no rio Fão e em nada lembra a enchente devastadora de janeiro de 2010.
Quem não matou essa aula, sabe: em 9 de julho de 1932 estourava a Revolução Constitucionalista em São Paulo, com o objetivo de depor o presidente Getulio Vargas, governando  sem respaldo da Constituição. Como tudo isso foi implodir aqui?
Éderson, hoje, parece dar significado ao tempo passado... Vindo dos lados de Soledade, os homens do Gen. Cândido Carneiro Junior, a pedido do interventor Flores da Cunha, acampariam naquele platô, onde hoje o menino troteia no seu cavalo tobiano, ambos despreocupados. Só que o traidor Flores da Cunha deu para trás e chamou a Brigada Militar... Mais de cem homens lutaram em combate e muitos perderam suas vidas nesta frustrante mobilização.
Alguns revoltosos do partido Libertador foram enterrados nessas redondezas, outros fugiram atravessando o rio, mas feridos se esconderam e acabaram  morrendo na mata. Na madrugada do  dia 13 de setembro ouviram-se os primeiros tiros. O combate teria durando seis horas até que as tropas de Candoca se retiraram atravessando o arroio Dudulha.
Nesse recanto, onde uma cruz marca o local do combate, um singelo memorial. Cinco revolucionários acabaram enterrados numa cova  nas proximidades do rio. A cada data farroupilha, o lugar é reverenciado pelos piquetes e ctgs que partem em cavalgada até Pouso Novo.
E os que restaram feridos, ainda deitados na planície - diz  Leda Trombini, que ouviu de sua mãe, quando menina de 12 anos, teria assistido um descalabro: “os soldados do governo botaram fogo em todos eles. Só três escaparam.” Leda guarda balas de fuzis descobertas no local.




Passado e presente perigoso: a casinha no alto do morro, um pontinho branco,  serviu de esconderijo para o assaltante Seco - diz o colega Alício de Assunção. 


 Na Picada Castro, moradores  locais asseguram que dentro de um poço, com mais de 15 metros de profundidade,  foi enterrada uma caixa cheia de armamentos dos combatentes durante a noite chuvosa de 12 para 13 de setembro de 1932.
Muita gente reverenciou a solenidade: o prefeito de Pouso Novo, Jovani Nardino, a secretaria de Educação e quase todos os vereadores da cidade; a Secretaria de Educação e vereadores de Marques de Souza, o vice-prefeito de Progresso, Luiz Fernando Dalcin,  Polícia Civil, Direção, professores e alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Pouso Novo e membros da comunidade.
No governo de Sinval Guazelli, um monumento de 1975:
“Lembrando os mortos na Revolução de 1932, homenageamos assim os homens, combatentes na Barra do Rio Fão neste município.”
Na época do confronto, dois dias depois, o frei Tiago Scheffers e alguns moradores da região encontraram cinco corpos de revolucionários e inúmeras covas onde foram enterrados os soldados da Brigada Militar.


Essa história foi venerada com emoção quando o hino do Rio Grande ecoou no pequeno e silencioso vale, que serviu de palco para a última revolução sangrenta no estado. Os homens do general Candoca contra uma tropa de 200 soldados da BM gaúcha. Bela pauta para os jornais: Pedro Bernardo dos Santos, ex-combate vive até hoje em Estrela.
Formada em História, com trabalho de conclusão que pesquisou o episódio ocorrido justo no local onde mora, Janaíne Trombini se emociona: luta para sensibilizar as prefeituras da “fronteira tríplice”-  Fontoura Xavier, Pouso Novo e Progresso: gostaria que os governos se aliassem e aproveitassem o prédio de uma escola fechada, a poucos metros do sítio histórico,  para abrigar uma Casa de Memória: um homem arando o campo próximo já desenterrou uma espada; os Trombini guardam balas de fuzil; famílias guardam fotos de ex-combatentes... 
Os habitantes envelhecem e com eles os relatos....

Mais um tempo e a história talvez se perca.
 O tempo urge para que a história oral seja documentada também.
É Janaíne que nos mostra por onde desceram as tropas do governo.
Assim como a Canjerana histórica, que sobrevive, e que dizem ser tão grande antigamente que até um combatente se protegeu dentro dela.
O historiador e professor Jose Alfredo Schierholt  revela um pouco sobre a história do combate contra a ditadura de Getulio Vargas, lembrando que a revolução de 1932 promoveu o retorno da democracia no Brasil.
Alício de Assunção, um dos incentivadores do resgate histórico, reúne todos  para a foto oficial que honra os 79 anos do corajoso Combate na Barra do Dudulha.
Espero que vocês gostaram desse ensaio fotográfico, assim como curti o passeio a Pouso Novo e à convidativa Barra do Duduia, que no verão deve ser o meu destino certo...

2 comentários:

Mônica disse...

Muito legal a reportagem. Bacana ler os acontecidos históricos...e as paisagens divinas! Parabéns!

serjao disse...

Excelente trabalho, Parabens.