segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA INCONCILIAVEL


No dia 24 de outubro de 1975, “ o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, despediu-se da mulher, Clarice, e saiu de casa na companhia de um amigo.

Era um sábado. Por volta das 8h ele se apresentou no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), no bairro Paraíso, 1030.

Ali funcionava o aparelho mais brutal de repressão da ditadura militar instalada no país desde abril de 1964. Ali se torturava e até se matava adversários ou supostos adversários do regime.

Havia outros jornalistas presos no DOI-CODI.
Herzog imaginou que seria ouvido, responderia sobre a suspeita de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e voltaria para casa a tempo de almoçar com Clarice...”
Ontem, domingo, li na Folha de São Paulo que o jornal  “localizou em Los Angeles, Silvaldo Leung Vieira, o fotógrafo da Polícia Civil de São Paulo, que registrou a famosa imagem do corpo do jornalista Vladimir Herzog, morto numa cela do DOI-Codi em 1975, pendurado pelo pescoço às grades da cela, mas com os pés no chão.

A foto, produzida por ordem do Dops (Departamento de Ordem Social e Política), foi divulgada com intuito de fazer crer que o jornalista havia se suicidado.
“Vieira conta como foi chamado a registrar o "suicídio'' e instado a manter silêncio a respeito, corroborando, segundo ele involuntariamente, com a farsa montada pelo terror estatal que atemorizava a chamada sociedade civil sob ditadura.

Quase quatro décadas depois, é muito importante que esta luz seja introduzida sobre o período vergonhoso de nossa história, em que se prendia em nome da liberdade e se matava em nome da vida.

Lembrar para nunca esquecer que a história se constrói com a memória dos que por ela morreram, eis uma atitude que sustenta a democracia.” Luiz Caversan, jornalista.

Vladimir Herzog compareceu espontaneamente ao DOI-Codi em São Paulo, após ter sido procurado por agentes da repressão em sua casa e na TV Cultura, onde trabalhava como diretor de jornalismo.

Segundo relatos de testemunhas, Vlado, como era conhecido pelos amigos, foi torturado e espancado até a morte.

"Ainda carrego um triste sentimento de ter sido usado para montar essas mentiras", afirmou Silvado.


6 comentários:

Andreia Rabaiolli disse...

Pq demoramos tanto tempo para se ligar que havia a identidade de um fotógrafo???E pq o fotografo nao falou, nao escreveu nada, nao blogou nada..como se fosse um fato comum forjar um suicídio?
O Exército afirmou que a tira de pano amarrada no pescoço de Vladimir Herzog, seria a cinta do macacão que usava. Mas os macacões do DOI-Codi não tinham cinta.

Andreia Rabaiolli disse...

Silvaldo chegou no porão com uma Yashica 6×6 TLR.“Eu estava muito nervoso, toda a situação foi tensa. Antes de chegar na sala onde estava o corpo, passei por vários corredores”, conta ele. Não tive liberdade. Fiz aquela foto praticamente da porta. Não fiquei com nada, câmera, negativo ou qualquer registro. Só dias depois fui entender o que tinha acontecido.”
Ele diz ter começado a montar o quebra-cabeça no domingo, quando o jornalista foi velado, ao descobrir que tinha fotografado o corpo de Vladimir Herzog. Depois, viu a foto no “Jornal do Brasil”, o primeiro veículo da imprensa a publicar a imagem, ainda em 1975. No início dos anos 80, a revista “Veja” a publicaria creditando o autor: “Silvaldo Leung Vieira, Depto. de Polícia Técnica, Secretaria de Segurança Pública, São Paulo, 1975″
Dois meses depois, ele fotografou outra farsa: a morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho, também “enforcado” nas dependências do Exército. (Dacio Malta tem a história com detalhes no seu site, bem interessante)

O Olho do Linceu disse...

como num brado retumbante, de novo a Nostalgia da Ossadas. Só os trouxas não sabem o que está por traz disto; a busca de uma polpuda indenização, que eu junto eles acabo ajudando a pagar.

Laura Peixoto disse...

Pita, obrigada pelos comentarios pertinentes e pela sugestão do Malta.
Realmente, como nunca se questionou a identidade do fotógrafo. Pensei q fosse de algum policial do DOI.
Se acharam o fotógrafo, não deve ser difícil descobrir um linceu.

Mariá disse...

que estranho né. pegaram um lambe, lambe pra fazer a foto de um sujeito morto. agora aparece outro sujeito "vivo" dizendo que foi ele. como não pode provar, já vai dizendo que ficaram com tudo. que milicos miseráveis, não tinham nem uma trip 35 da Olympus que surgiu em 1968.

Anônimo disse...

mariá e linceu são a mesma pessoa...